“A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.” Jean Molière

domingo, 5 de agosto de 2012

Alma índia


Minha alma índia eu a descobri em ti.
Minha infância e adolescência foram o espaço de tempo
Que tu usaste para plantar em mim
As sementes de nossas raízes.

Mal sabia que, talvez,
Eu tenha sido um dos poucos terrenos,
Quem sabe o único,
Em que pudeste depositar
As sementes de nossa história,
De nossos ancestrais.

Lançaste as sementes
E o tempo e minha consciência as fizeram crescer.

Não foste nenhuma avó extraordinária,
Aquele estereótipo de avó “coruja”.
Foste, simplesmente, a minha avó índia:
Transcorrendo tua vida no silêncio e humildade,
Respeitando as pessoas, ainda que não respeitada,
Contemplando a natureza e vivendo da providência divina
Que se faz ver nos frutos da terra e no suor do trabalho sagrado.

Não eras o centro das atenções
E, mesmo assim,
Meus olhos de ti não desgrudavam.
Pouco a pouco,
As minhas raízes cresceram
E começaram a encontrar-se com as tuas,
Até que, por fim,
Tornaram-se únicas raízes.


(Elisangela Dias Barbosa)


Foto: Google Imagens.

INFINITO

Foto: Elisangela Dias Barbosa, 2013.


Na pureza de teus olhos
Encontrei o universo de Deus:


o   i    n    f    i    n    i    t   o ...


Infinito com sabor de Plenitude
Que descobri em teu sorriso de anjo.






Poesia de Elisangela Dias Barbosa



 

Meu sentimento profundo e sagrado



Eu que já fui trilha
Hoje sou parada
A ti esperar...
Não tardes amor de minha vida
A aproximar-te...

Por mim,
Já estaria ao teu lado
A dizer-te o quanto és querido
Não só por mim
Mas por todo o cosmo, o universo, a natureza, o Céu...

Tudo conspira a teu favor
Inclusive meu coração...

Eu te amo!
Sentimento tão profundo e tão sagrado
Que chego a falar baixinho...

Eu te amo!
Não fui eu que escolhi,
Simplesmente aconteceu...

Quando vi
Caminhava eu da outra parte
E meu coração caminhava ao teu lado...

E o que fazer?
Agora resto aqui parada
Esperando meu coração trazer-te...
Para juntos voarmos nos mais altos céus.

(Elisangela Dias Barbosa)


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pingos de felicidades

Um dia
Na mata fechada
À margem do rio
Estávamos dormindo,
Cada um em sua rede, até mesmo o pequenino de poucos meses.

O escuro ficou molhado
Com pingos grossos
Que cantavam uma canção violenta.

Pai, mãe... meus pais,
Para proteger os filhos,
Começam, então, a lutar contra o tempo
Para levantar o acampamento.



Tudo na canoa!
Todos na canoa!

Seguimos pelo rio até uma praia.
Ali, ao céu aberto,
Estamos protegidos dos raios e trovões.

Meu pai,
homem inteligente,
Faz da canoa uma pequena casa
Para refugiar os três filhos.
Foi a casa mais bonita que tive...

Dormiiiiiimoooos...

Aquela noite foi a noite de meus sonhos...
... Uma migalha de felicidade
Que pude experimentar
Em minha pequena alma de criança.

Distante no tempo,
Percebo que aquela felicidade sentida
Foi fruto do amor de meus pais.
Eles não puderam se refugiar embaixo da canoa,
Pegaram toda a chuva.
 
Ao amanhecer,
Vi em seus rostos o sorriso da gratuidade.
Estavam felizes por estarmos juntos e protegidos.
Aqueciam-se ao redor de uma fogueira
E com a cumplicidade de casal
Tomavam o mais gostoso café.

Fiquei feliz!
Agradeci ao Ser Supremo
A bendita chuva de uma noite
Que ficou inundada de felicidade.

(Elisangela Dias Barbosa)


Foto: <http://downloads.open4group.com/wallpapers/1024x768/chuva-na-floresta-tropical-11528.html>; <noticiasrss.com.br>.

terça-feira, 31 de julho de 2012

TRAVESSIA

No silêncio da noite grito teu nome e te procuro...

"Onde estás?"

A noite é tão escura de um túnel negro
e nenhuma luz para iluminar.
Meu consolo é saber que ao fim do túnel
estarás a me esperar...

Então...

Corro... corro... corro...corro... para que o túnel negro chegue ao fim!

Mas o inevitável acontece...
No escuro tudo é incerto: meus pés tropeçam.

Chegarei ao nosso encontro um tanto desfigurada
e será a tua vida eterna a curar-me!

Ah! Que mais almejar?!

Próxima a ti
vivo o Amor Eterno, a Vida Eterna:
Eterno Tempo Terno!

(Poesia de Elisangela Dias Barbosa)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Aos amigos


Pelas estradas do êxodo!
Esta se faz longa...
Mas, caminhando,
Percebo que não estou sozinha.

Pelas estradas do êxodo,
Um horizonte
Abre-se iluminado:
São os amigos!
Movidos,
Todos juntos,
Pelas águas da amizade,
Vivemos o mistério do encontro,
Do encanto e desencanto,
Da aceitação recíproca do outro
Como outro,
Sem fingimento.

Pelas estradas do êxodo,
Explode a vida!
E o que estava escondido
Tornou colorida a realidade:
Somos amigos e nada mais!
Simplesmente, amigos!
E isso nos basta!


Pelas estradas do êxodo,
Seguimos por mares distantes:
"navegar é preciso".
Lados opostos
Que se encontram
Na lembrança!


Pelas estradas do êxodo,
Restou-nos a alegria do encontro vivido,
O sorriso partilhado e a lágrima enxugada,
As brincadeiras no grande rio da amizade,
Desafiando os nossos medos!


Pelas estradas do êxodo,
Olho para o alto
E contemplo também ali
A beleza da amizade:
Das cores diferentes
Que se encontram
E se enriquecem mutuamente!

Pelas estradas do êxodo,
Percebo em mim
Sinais eternos,
Os sinais deixados
Pelos meus amigos,
Meus bons amigos,
Meus velhos amigos,
Eternos amigos!

Pelas estradas do êxodo,
Percebo-me como uma gota d'água!
Minúscula!
Impotente!
Mas, novamente,
Sei que não estou sozinha,
Porque levo comigo
Meus amigos.
E com eles,
A gota d'água que sou
Torna-se cachoeira
Pela capacidade de amar!


Pelas estradas do êxodo,
Descubro-me sempre a casa!
Porque onde quer que eu esteja,
Seja qual for a casa...
... Lá encontrarei amigos!


Pelas estradas do êxodo,
Vôo no pensamento
E volto às origens,
Ao rio da amizade:
As águas são sempre novas,
Mas o rio permanece ali,
Sempre a nos esperar...
... Assim como os amigos!

 (Elisangela Dias Barbosa)


terça-feira, 3 de julho de 2012

Poesia Natural


Brinco nas águas do grande rio que banha minha infância
E ainda que grande, não me assusta...

Suas águas me embalam ao ritmo dos banzeiros,
As pequenas ondas de água doce.
O vento acaricia o grande rio,
Anima o balé dos botos
Em suas piruetas aquáticas
E canta para mim
A mais bela canção de ninar
Enquanto me aconchego em meu leito natural: a praia grande com sua areia clara e fina,
Tendo por cobertor o céu estrelado amazônico...

Contemplo...

Maravilho-me com aquilo que conheço,
Que só conheço... A natureza!

Pergunto-me:
Quem será o grande poeta que compôs essa bela poesia natural?

Não o conheço totalmente.
Ele é para mim um mistério que se revela e se deixa descobrir
Por sua antologia poética natural:
A poesia terra,
A poesia água,
A poesia céu,
A poesia natureza,
A poesia homem-humanidade.

Sobretudo,
Descubro-o na mais bonita poesia
Que esse grande poeta já escreveu...
Descubro-o em Jesus Cristo,
a Poesia Amor!