“A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.” Jean Molière

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pelas Comunidades Negras Brasileiras

Foto: Ana Martins, 2013.

"Está com todo som, na boca nas palavras.
Está em outro tom, nas sílabas caladas.
A minha linda voz.
Está como eu estou nas roupas, nas sandálias.
Está aonde eu vou na rua, nas calçadas
A minha linda voz
Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.
Para destoar
Para dissolver
Para despertar
Pra dizer
Está na cara, a cor, na sombra das imagens.
Em tudo o que supor, nos contos, nas miragens
A minha linda voz.
Está em toda dor, na gota de uma lágrima.
Da em qualquer sabor na beira da estrada
A minha linda voz.
Sou negra livre
Negra livre
Cheguei aqui a pé.
Para desnudar
Para derreter
Para descolar
Pra viver
 Para deslizar
Para devolver
Para desbocar
Pra doer
Para desamar
Para adormecer
Para desfilar
Pra vencer!"

(Canção Negra Livre, Negra Li e Nando Reis)


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Para a Juventude Pejoteira de Belo Horizonte!



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Diante do caminho já trilhado, das opções feitas ao longo da existência da Pastoral da Juventude e do momento vivido pela Igreja do Brasil celebramos, este ano, uma data muito significativa: o jubileu de 40 anos da Pastoral da Juventude no Brasil!

As comemorações dos 40 anos da PJ contarão com iniciativas, atividades e ações que desencadearão processos significativos na vida e na caminhada dos jovens organizados como PJ e de tantos outros que poderão fazer parte desta bela festa de vida, histórias e comunhão.

É nesse contexto que a Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte promoverá um grande momento de partilha, evangelização e formação de grupos e lideranças jovens: o Encontro Arquidiocesano da Pastoral da Juventude.

O Encontro Arquidiocesano será espaço de vivências, integração e formação para motivar os jovens a atuarem nas Comunidades e Paróquias em sintonia com a Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude que acontecerá em Belo Horizonte, em 2014 e dar continuidade ao processo de “Kairós” após a Jornada Mundial da Juventude.




sábado, 27 de julho de 2013

Carta ao Papa Francisco

Foto: Arquivo da CPT.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), junto com as Pastorais do Campo, como Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Serviço Pastoral do Migrante (SPM) e Pastoral da Juventude Rural (PJR), enviaram, através de Dom Enemésio Lazzaris, presidente da CPT, Carta ao Papa Francisco chamando-o para conhecer a realidade das comunidades rurais no Brasil. O documento, assinado por Dom Enemésio, salienta a postura simples do novo Papa, e as recorrentes falas de aproximação da Igreja aos pobres. Da mesma forma, apresenta o trabalho das Pastorais do Campo, que ouvem os clamores desses povos e suas lutas cotidianas pela garantia de seus direitos e pela permanência na terra.
A Carta destaca que a regularização dos territórios tradicionalmente ocupados e da tão sonhada reforma agrária, ainda são assuntos intermitentes na pauta governamental. Ao mesmo tempo, as Pastorais demonstram esperança de que um dia o Papa possa visitar essas comunidades, dando uma demonstração concreta do compromisso da Igreja, conforme Jesus, com os pobres na terra.
Confira o documento:


Caríssimo Irmão Francisco,

Como é bom nos dirigir ao senhor chamando-o simplesmente de irmão, sem qualquer outro título que o distancie do projeto de Jesus. Sentimo-nos muito próximos do senhor por esta sua postura simples e sonhamos com um dia a Igreja se ver totalmente livre, simples e pobre como Jesus de Nazaré, ao lado dos pobres com tantos rostos e nomes. Queremos saudar sua presença no Brasil na Jornada Mundial da Juventude.

Quem somos nós? 
Somos um conjunto de pastorais da igreja que atuam junto aos homens e mulheres do campo e das águas: o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que atua junto aos povos indígenas de todo o Brasil; a Comissão Pastoral da Terra, CPT, que tem sua atuação junto às diversas categorias de camponeses e camponesas, junto aos trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, aos pequenos agricultores familiares, às comunidades quilombolas (comunidades remanescentes formadas por afrodescendentes fugidos da escravidão) e junto aos trabalhadores que acabam submetidos a condições análogas ao trabalho escravo; o Conselho Pastoral dos Pescadores, CPP, que tem como objetivo ser presença de gratuidade evangélica no meio dos pescadores e pescadoras artesanais, estimulando suas organizações para a preservação do meio ambiente e a permanência em seus territórios tradicionais;  o Serviço Pastoral dos Migrantes, SPM, que desenvolve sua ação junto às famílias que constantemente migram em busca de melhores condições de vida, ou de pessoas que todos os anos procuram em outras regiões, longe de suas casas,  trabalhos temporários;  a Pastoral da Juventude Rural, PJR, que atua com os jovens camponeses.

Neste serviço solidário ouvimos todos os dias os gemidos de dor e angústia de milhares de famílias que foram ou ainda são espoliadas de suas terras, de seus meios de subsistência e de sua cultura, que são discriminadas e invisibilizadas Os direitos destes povos, comunidades e famílias são constantemente negados para abrir espaço ao avanço de empresas e empreendimentos capitalistas com seus grandes projetos de “desenvolvimento” com construção de hidrelétricas, exploração de minérios, monocultivos do agronegócio e outros que tudo querem transformar em mercadoria.

Quando alguns direitos são reconhecidos, acabam não sendo respeitados. Para serem reconhecidos é preciso percorrer um penoso e desgastante processo que se prolonga por décadas. Isto acontece, sobretudo quando se trata do direito aos territórios dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos pescadores e ribeirinhos e de outras comunidades tradicionais. Porém o reconhecimento e regularização destes territórios e a sonhada Reforma Agrária continuam presentes na sua pauta.
Este trabalho evangélico desenvolvido por bispos, padres, religiosos e religiosas e, sobretudo, por leigos e leigas sofre o ataque de diversos setores da sociedade, em especial daqueles que se colocam como os únicos portadores de direitos, em particular do direito de propriedade e dos que os apoiam. O mais angustiante, porém, é que esta incompreensão a encontramos também em setores da própria igreja e da parte de muitos bispos e padres que estão mais ao lado dos que têm bens e poder, do que ao lado dos pobres.
Irmão Francisco, cada vez que o ouvimos falar que a igreja deve sair de dentro de suas estruturas e estar ao lado dos pobres para ouvir seus clamores e sentir de perto seus sofrimentos, nos sentimos apoiados e fortalecidos em nosso trabalho e em nossa Missão que é a missão samaritana de ajudar a que os caídos se levantem e caminhem por si, a que os oprimidos ergam a cabeça reconhecendo sua dignidade de filhos e filhas de Deus.

Gostaríamos imensamente que um dia o senhor pudesse pessoalmente conhecer de perto a realidade do povo das comunidades com as quais trabalhamos para dar-lhes uma palavra de incentivo e afeto. Mas como no momento não é possível, gostaríamos que mesmo de longe envie sua palavra de conforto para eles  que sofrem a cada dia as violências e as ameaças à vida e à dignidade humana.

Que o Senhor que é pai e mãe de todos abençoe seu ministério à frente da Igreja e abençoe a todos e todas nós.

Dom Enemésio Lazzaris - Bispo de Balsas - MA                                     
Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)


Rio de Janeiro, 23 de julho de 2013.






quinta-feira, 4 de julho de 2013

Encontro Arquidiocesano da Pastoral da Juventude

Foto: Elisangela Dias Barbosa, 01 de julho de 2013.


No dia 25 de agosto (domingo), teremos o Encontro Arquidiocesano da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte. O mesmo ocorrerá no Colégio Marista Dom Silvério, das 8h às 17h.
O encontro, pós JMJ Rio 2013, quer ser um espaço de convivência e interação entre os grupos de jovens de toda Arquidiocese de Belo Horizonte: espaço de formação, espaço celebrativo, espaço de descontração e conhecimento dos vários projetos nacionais da PJ, os quais são apresentados no subsídio "Somos Igreja Jovem".

"Enquanto existir um raio de luz
E uma esperança que a todos conduz
Existe a certeza, plantada no chão
Ternura e beleza não acabarão
Pois a juventude que sabe guardar
Do amor e da vida não vai descuidar
O rosto de Deus é jovem também
E o sonho mais lindo é ele quem tem
Deus não envelhece, tampouco morreu
Continua vivo no povo que é seu
Se a juventude viesse a faltar
O rosto de Deus iria mudar".


(Trecho da canção O Mesmo Rosto, de Jorge Trevisol)





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Oração da causa indígena (de Dom Pedro Casaldáliga)


“No dia do Corpo de Cristo (30/05/2013), a Polícia Federal manchou de sangue mais uma página da história dos povos indígenas, com o consentimento do governo. Faz quinhentos anos que nós sofremos e hoje, no dia do Corpo de Cristo, mataram nosso parente Terena Osiel Gabril.”

Valdomiro Vergueiro

Cacique Kaingang do Morro do Osso



Pai-Mãe da Terra e da Vida,
Deus Tupã de nossos pais e mães,
Venerado nas selvas e nos rios,
No silêncio da lua e no grito do sol:
Pelos altares e pelas vidas destruídas
Em teu nome, profanado,
Nesta nossa Abia Yala colonizada,
Te pedimos que fortaleças
A luta e a esperança dos povos indígenas
Na reconquista de suas terras,
Na vivência da própria cultura,
Na fruição da autonomia livre.
E dá-nos (a nós, neocolonizadores)
Vergonha na cara e amor no coração
Para respeitarmos esses povos-raiz
E para comungar com eles em plural Eucaristia.
Awere, Amém, Aleluia!


de Dom Pedro Casaldáliga



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Menino Sol"


Foto: Elisagela Dias Barbosa, 2012.

Um menino índio fez a dança da chicha no meu coração.
Encarnou um ritual de amor sob o arco-íris, incorporando o elo entre o humano e o divino, entre o tangível e o intangível, entre o real e o sonho, anunciando a chegada de uma divindade.
Um pouco de Eros, o deus grego do amor, filho de Zeus e de Afrodite, a deusa que me guia.
Um menino deus, com um pé no Olimpo e outro aqui, no mundo dos homens e das mulheres, que lança nos corações humanos flechas de sensibilidade, de encanto, de esperanças libertárias.
Menino sol, menino luz, farol a indicar caminhos nas noites sem lua cheia, nas noites sem poesias, sem tertúlias.
Menino anjo, mensageiro do sonho de justiça e igualdade, guardião de um outro mundo possível, de um futuro de beleza para humanidade, mesmo que uns ainda teimem em negá-lo.
Menino índio, menino deus, menino sol, menino da cor do arco-íris.


Maiakóvski


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

"A poesia tem comunicação secreta com o sofrimento da humanidade". (Pablo Neruda)

Nesta postagem, nada de poesia! Mas o espaço à palavra aberta e solidária para que esta, a Poesia, não morra na vida do Povo Indígena Kaiowá-Guarani.

Acesse o link abaixo para ler a Carta Testamento deste povo.

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

Do filme "Terra Vermelha".