“A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.” Jean Molière

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domingo, 30 de agosto de 2015

Amor, suspiro da alma!


Suspiro da alma é o amor em nossas veias!
Adrenalina de Afrodite...
Embriaguez dos poetas...

Um pássaro canta ao meu ouvido...
O vento acaricia meus cabelos...
O crepúsculo narra o encontro amoroso do céu e da terra...
Sinais de Mãe Terra para contar-me as coisas do amor!

Tal filha e poeta,
vou contemplando e vou poetizando o belo em mim, em ti, em nós!
Sou andarilha na terra,
Tatuagem verbal a revelar o amor!


Elisangela Dias Barbosa

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Acalento

Foto: Elisangela Dias Barbosa.

Sonhei uma linda criança...
Tão vivaz, tão encantadora...
Dos olhinhos brotavam esperança,
A esperança de um novo amanhã...
Sonhei um menino travesso...
Choroso por ter se machucado na brincadeira infantil...
Sonhei uma alma humilde
que pedia-me confiança com olhar e com as lágrimas...
Cheguei perto!
Acalentei-lhe em meus braços...
Falei com suavidade materna:
"Não chore meu pequeno,
a ferida que em ti está logo irá sarar".
No abraço, a sua paz!
Nas palavras, a sua confiança!
Uma simbiose entre nós dois!

Elisangela Dias Barbosa

domingo, 9 de agosto de 2015

Poema a meu pai

Foto: Elisangela Dias Barbosa, Abril/2015.

Navegando as águas do Rio Branco,
Cresci contemplando a vida de um pescador.
Com ele, aprendi a nadar e a desafiar o medo...
Conheci a natureza e todo seu esplendor.
Aos sete anos, levava-me para escola em sua bicicleta...
Com meus quinze anos, em seu corcel azul.
Com minha mãe, foi meu fiel torcedor nas arquibancadas dos esportes de minha juventude.
Sempre presente em seu silêncio...
Não éramos de muitas palavras, só de olhares e sorrisos...
Não foi perfeito, nem santo,
Apenas meu pai, tão humano...
Nem eu sou perfeita, nem santa,
Apenas sua filha que tanto lhe ama...
Felicidade é ter um pai assim tão zeloso,
Que acompanha os filhos pelas veredas do mundo com o coração e a alma...
Eu sou feliz... 
Tenho você meu porto seguro, meu farol no escuro...
Amor divino de Pai!

(Elisangela Dias Barbosa)

sábado, 8 de agosto de 2015

Amor, bicho traiçoeiro

O amor é bicho traiçoeiro:
Chega de mansinho, espreita nossa alma,
Confunde nossos sentidos, quebra paradigmas...
E o que é certo ou errado no amor?
Acaso, ele se faz rotular?
Acaso, ele se prende aos nossos esquemas mentais e culturais?

Chego a conclusão que não!

O amor é um menino danado e sorridente
Que me chama a correr para longe de mim e de tudo que projetei...
Solta gargalhadas ao vento,
Tão espontâneo assim é o amor.

Vou com ele,
Neste caminho...
Quem sabe onde dará?!


Elisangela Dias Barbosa

Loucuras Poéticas!

A poesia fez sua morada em mim...
Estava ausente,
Agora faz-se presente em minhas loucuras!
Loucuras noturnas,
Loucuras líricas,
Loucuras proféticas,
Loucuras da alma...
Enfim,
Sofro o mal do poeta:
De reconhecer-se tão liricamente louco,
tão verbalmente só neste mundo...
Poucos para compreender e ler minha poesia!
Tal qual a pena do Poeta Divino,
Caminhamos aqui com nossa lira...
Cantando, cantando, cantando...
Poetizando a vida com a nota de Dó Maior!


Elisangela Dias Barbosa

domingo, 2 de agosto de 2015

O amor é narração!


Na dureza do caminho,
A poesia se foi...
Na suavidade de teu olhar,
A poesia voltou!

Felicidade que só os poetas entendem!
Sol luminoso a romper na escuridão:
Coração volta a pulsar,
Os pés criam asas,
As mãos, pena de escritor!

O nobre sentimento não cabe só no coração e na alma,
precisa ser registrado no papel...
Retrato poético, tão terno e tão platônico!
Só entre eu, o papel e a caneta!
Amo-te assim!

Elisangela Dias Barbosa

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nossa Poesia

Foto: Pastoral da Juventude de BH, em Esmeraldas, setembro/2013.


Nossa poesia na luta, nos sonhos, nas quedas, nos tropeços, na festa!
Nossa poesia na convivência, no cuidado mútuo, no aprendizado, no que parece absurdo!
Nossa poesia nas rodas de conversa, nas horas de reuniões, na brincadeira, no tecer relações!

Nossa poesia é inclusão! É mutirão!
Nossa poesia é ciranda da vida! É mística e ação!
Nossa poesia é nosso jeito de ser e de fazer...

E quem leu e não entendeu é porque nele (ou nela) a poesia morreu!
Em nós vive e ecoa pelos quatro cantos da terra!

Enfim, nossa poesia é o verbo verbalizado, verbo escrito, verbo conjugado!
Jesus de Nazaré!
Poesia concreta!

Nossa poesia é nossa mão solidária na profecia do reino de Deus aqui na Terra,
No chão duro e lascado, entre todos os Severinos da Vida,
Para com eles morrer da mesma morte matada e da mesma morte morrida.
Não somos melhores que ninguém!

Mas a profecia do reino de Deus clama a vida e, mesmo solidários e solidárias no chão duro da vida e na secura do coração humano, não podemos deixar ninguém nem de  morrer de morte matada e nem de morte morrida...
Assim, nossa poesia é também grito, é indignação, é passos na estrada nas manifestações...
É sensibilização, é análise de conjuntura, é estratégia de ação...
Nossa poesia é política, é luta para garantir o pão!
E aí? Qual é a sua poesia?


Elisangela Dias Barbosa



Mulher tecelã

Katuapó tecendo artesanato Yawalapiti durante a V Aldeia Multiétnica. Foto: Anne Vilela, 2011.
























Tecemos a vida...

Tecemos os tempos de bonança

Com fios da dor,

Com fios de esperança.

Mulher guerreira,

Alma de ternura,

Espírito de fortaleza...
  

Pinceladas de Tupã em nosso ser.




Elisangela Dias Barbosa




Sou guerreira da Luz!








sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Deixai-o dormir...

Foto: Arquivo de Elisangela, 2013.



Deixai-o dormir enquanto contemplamos os frutos da Criação
E aprendemos de nossa Mãe Terra que tudo tem seu processo,
Sua morte,
A escuridão fecunda,
O broto persistente que traz em si a potência da vida...
Deixai-o dormir, porque sabemos que,
Enquanto Ele dorme, seu coração vela por todos nós!


Elisangela Dias Barbosa




terça-feira, 20 de agosto de 2013

Teologia do isolamento?

Foto: Google Images.

O pior sentimento não é a solidão
É o isolamento!
É triste constatar que, ao mudar a rota do caminho,
Olharás para trás e perceberás um buraco na sua vida...
É o muro do isolamento!
Isolada, não terás a chance de dizer o porquê de suas escolhas...
Isolada, sofrerá a conseqüência da escolha, sem o direito a dizer adeus aos companheiros/as da caminhada...
Isolada, sua voz é simbolicamente silenciada...
Outros contarão a história de sua partida...
Com o risco de aliviar o próprio peso, sobrecarregando seus ombros...
Teologia do isolamento...
Teologia da opressão!
Mas, vamos, sigamos a estrada...

Deixemos o muro e olhemos o horizonte aberto!



Elisangela Dias Barbosa



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Tamborear

Foto: Google Images.








A alma índia sente a vibração dos tambores de longe...

Não sabe se a vibração é boa ou ruim, 

se são rumores de festa ou se é o chamado para guerra...

O silêncio gritante da natureza confunde seus sentidos...

Mais parece o silêncio de morte simbólica no ar...

Ou é a pausa da natureza para um novo advento?

Tupã deixe-me escutar os rumores dos tambores


Para entender a melodia!




Elisangela Dias Barbosa





Beleza entre espinhos

Foto: Elisangela Dias Barbosa, 2012.

Mesmo que a vida anuncie as cruzes do caminho, 
Eu acredito na ressurreição da vida!

Mesmo que a rosa se mostre cheia de espinhos, 
Eu contemplo sua beleza cheia de perfume!

Não posso muito, simplesmente, 
Posso dar tudo de mim nesta caminhada que nos irmana.
Na solidariedade orante, velando pelos passos cansados e feridos!

Na contemplação da beleza rara que se revela entre os espinhos!


Elisangela Dias Barbosa




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Capela interior

Foto: Elisangela Dias Barbosa, 2013.

Em meio a agitação da vida,
Sinto em meu coração um altar velando pelos passos teus.
Corro de um lado a outro,
E ainda consigo ver-me sentada em contemplação.
Minha alma trabalha
E meu espírito vagueia pela capela interior em oração...

Em oração silenciosa por ti!



Elisangela Dias Barbosa




segunda-feira, 22 de julho de 2013

Salmo indígena

Créditos da foto: GAIA AMAZON - Cultura Indígena em Evidência por Elvis Silva.



Caminhamos neste mundo rumo a Terra Sem Males!
Nossos passos, cansados e feridos,nutrem-se da esperança de um novo amanhã...
De um outro mundo possível!

Ouço grito sem voz.
Vejo choro sem lágrimas,
porque até isso nos foi roubado!

Vem Liberdade, faz morada entre nós!
Vem Esperança, alimenta o nosso canto
para que não se torne um lamento!
Vem Fraternidade, faz de nós mais irmãos,
mãos abertas, solidárias, prontas para segurar a mão do outro em caminhada,
prontas para não deixar cair no vazio a lágrima de dor...
Vem Amor, reina soberano!
Faz de nós, homens e mulheres, livres, portadores da esperança, fraternos!

Vem e ensina-nos a amar!



Elisangela Dias Barbosa





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Viver Poesia

Desenho: Elisangela Dias Barbosa.

Nos traços, nos rabiscos, nas cores...
A POESIA!

Na vida, nos passos, nas quedas, nas dores...
A POESIA!

Nos sonhos, na utopia, na ousadia, na luta, entre os amores...
A POESIA!

Na mão estendida, no grito liberado, na marcha do povo, no pão partilhado...
A POESIA!

Poesia é tudo isso e o muito mais que não conseguimos expressar!
Ela é a transfiguração de nosso olhar!
Ela é o fruto ousado do humilde agricultor
que planta palavras e gera sonhos nas almas sensíveis...
Poesia para viver com proeza nossos dias...
Da prosa quero minha história,
Da poesia, minha razão de viver!


Elisangela Dias Barbosa


Vento Norte



Nas águas do Rio Branco, Roraima/Brasil.


O Vento Norte vem falar a minha alma para prosseguir em caminhada.
Olho para a canoa parada às margens do rio e escuto-a dizer-me:
"vem, pega o remo, e vai até a nascente do Grande Rio!"

Ao meu redor tudo é silêncio!

O silêncio sagrado para acolher o recado do vento Norte!

E lá vou eu, na aurora dos novos tempos, remando com minha canoa!

Os tambores de lá me chamam!


Elisangela Dias Barbosa



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Meu verbete saudoso



Saudade 
Palavra bem brasileira
A expressar aquela falta gostosa de alguém em nossa vida...
Traduz, de modo peculiar,
O quanto o outro foi importante
E o quanto valeu a pena ter nossos caminhos se entrelaçado...

Saudade 
Significa também ter no coração aquele gostinho de "quero mais",
Como se disséssemos:

"Se daquela vez foi muito bom, da próxima vez vai ser bem melhor"...




Elisangela Dias Barbosa



Fuga do eu

Foto: Elisangela Dias Barbosa, 2012.


Fujo de ti porque simplesmente corro de mim mesma...
Tenho medo mais de mim do que de ti...
Tenho segredos que nem contei para mim mesma...
Oh, Vida!
Até quando correrei de mim e silenciarei os segredos

Que minha alma conhece e que ainda não me contou?


Elisangela Dias Barbosa



Porta Aberta

Foto: Google Images.
Eu quero mais as palavras provocadoras
dos profetas do reino de Deus que me fazem abrir os olhos e os braços
para a verdadeira acolhida do outro, sem classificação, sem pretensão,  sem ilusão...

Encontrar o Cristo e deixar-se encontrar por ele...

Abrir a porta para quem bate...

E bater à porta,
quando em minha miséria,
anseio por alguém que me abra,
sou eu também pobre e doente a procura!




Elisangela Dias Barbosa